Vazante e ameaça a cardumes podem causar ataques de piranhas, diz especialista

 

Flutuante onde ocorreram quatro ataques investe em telas e sinalização, e também contratou engenheiro de pesca para auxiliar no manejo das espécies

(Foto: Euzivaldo Queiroz)

Após um novo ataque de piranhas a um banhista no lago Tarumã, localizado na Zona Oeste, os casos chegam a quatro nessa mesma região, afastando banhistas de flutuantes e de praias nessa área da cidade. No feriado de Finados, um banhista relatou no Facebook que foi alvo de uma mordedura no dedão do pé quando tomava banho com amigos e o filho. Diante do pânico que se espalhou pelas redes sociais, A CRÍTICA procurou um especialista no assunto para explicar as possíveis causas dos ataques e dar dicas de como prevenir esse tipo de acidente e evitar que o dia de folga termine no hospital. 

Apesar do temor dos banhistas, o engenheiro de pesca  Danniel Rocha Beviláqua, que é doutorando em biologia de água doce e pesca interna pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), explicou que peixes da espécie piranha, principalmente as vermelhas, que são as mais agressivas, só atacam quando se sentem ameaçadas ou quando têm seus espaços invadidos. 

“É importante lembrar que piranhas se alimentam de outros peixes, não comem carne humana, mas atacam quando se sentem ameaçadas. Quando ela sente presença que pode prejudicar de alguma forma, ela se defende, defende o cardume. Geralmente acontece quando alguma atividade humana tende a invadir aquele meio que ela habita, que são lagos e locais de águas mais calmas”, contou. 

Vazante também influencia

Outro motivo para os ataques mais frequentes, segundo o especialista, é a vazante dos rios, que reduz a oferta de outras espécies de peixes das quais as piranhas se alimentam, além de reduzir o espaço dos cardumes. O descarte de alimentos, como restos de carne e frango, nos rios e lagos, também pode atrair a atenção dos peixes. 

“Estamos agora num período de vazante, início do pico da seca. Nesse período, os lagos ficam com restrição alimentar, ou seja, muitas espécies de peixes saem dos lagos e poucas espécies ficam nos lagos. Então, o ambiente fica meio restrito, tanto de espaço quanto de alimentos, então ela (a piranha) vai atrás de outros alimentos que podem ser esses jogados nos rios e se aproximam dos humanos.  Elas se defendem atacando quando se sentem ameaçadas”, explicou. 

Casos
O banhista Bruno Brandrão, relatou no Facebook, na quinta-feira, que foi alvo de ataque de piranhas quando nadava com amigos e o filho e ficou com medo de nadar no lago Tarumã. O caso ocorreu no Flutuante Abaré, onde outros dois casos semelhantes foram registrados no mês passado.  “Mas o pior disso é que meu filho estava a 1 metro de mim, tirei ele calmamente e me esforcei para ele não entrar em desespero”, contou o banhista, que pediu que as pessoas não vissem a postagem como um ataque ao flutuante, que prestou toda a assistência necessária a ele.

Flutuante investe em ações para evitar ataques

O proprietário do Abaré Sup & Food, Diogo Vasconcelos,   disse à reportagem que, além dos casos de Bruno e dos dois ocorridos no mês passado, um quarto ataque foi registrado no flutuante, que tem investido em ações como placas de sinalização, salva-vidas, manejo das espécies e até a implantação de uma “piscina telada”, que deve ser instalada no local até amanhã. 

Diogo contou que um engenheiro de pesca está auxiliando no caso. Segundo ele, o especialista acredita que peixes devem estar se reproduzindo no lago. “Para a gente já ficou claro que é essa questão de reprodução, tanto que começamos o manejo desses peixes e estamos instalando uma piscina de telas para que nossos clientes continuem se divertindo e sem medo”, disse. 

O empresário contou que o número de clientes no flutuante tem reduzido, mas afirmou que está investindo em ações para que os banhistas continuem frequentando o flutuante e descartou casos de descarte de alimentos no rio. “Estamos trabalhando para que as pessoas se sintam mais seguras e não existe essa história de entrar com alimento nas águas, somos uma atividade sustentável, não jogamos nosso lixo nos rios”, garantiu.

Fonte: http://www.acritica.com/channels/manaus/news/vazante-e-ameaca-a-cardumes-podem-causar-ataques-de-piranhas-diz-especialista

Enjoy this blog? Please spread the word :)