Médica que tenta morte assistida sofre de reação a implante de silicone

 

Desde 2011 ela sofre de uma doença rara, resultante de duas fatalidades: a reação ao implante de silicone nos seios e a predisposição genética para a dermatopolimiosite

 

Arquivo pessoal

Letícia Franco: ela tem recebido inúmeras mensagens de solidariedade

São muitas vezes inescrutáveis as razões que levam uma pessoa ao suicídio. Em muitos casos, a própria pessoa, atormentada por uma cadeia de episódios de sofrimento que já ultrapassou a linha do desespero, não atina para o fato de que, rompido o primeiro gatilho que desencadeou as primeiras dores, uma nova vida pode se descortinar no horizonte.

Não é o caso da médica oftalmologista Letícia Franco, 36 anos, que planeja uma viagem à Suíça para se submeter a uma morte assistida. Desde 2011 ela sofre de uma doença rara, resultante de duas fatalidades: a reação ao implante de silicone nos seios e a predisposição genética para a dermatopolimiosite.

Segundo estudos recentes, a probabilidade de que isso ocorra é de 0,8% dentre as pessoas que se submetem à cirurgia estética, uma vez que o silicone é tido como material “inerte”, ou seja, que não causa reações.

Letícia sofre com dores terríveis e crescentes. O processo inflamatório atinge músculos e ossos. Ela já quebrou a perna ao menos duas vezes pelo simples fato de ter ficado de pé. Enquanto ela sofre, sua família sofre junto.

LIVRE conversou com a mãe de Letícia, também médica, que pediu para não aparecer na entrevista, mas relatou todo o sofrimento que a filha tem passado durante os sete anos em que luta contra a doença.

A ideia de ir para a Suíça, segundo pessoas próximas, nasceu há pouco tempo, “pelo cansaço dela, depois de suportar tanta dor”. Mas, para realizar a vontade, ela precisa que duas pessoas da família a acompanhem nessa última viagem. E, como disse a mãe, “que mãe levaria uma filha para morrer?”.

Por alguns meses, Letícia teve melhoras, voltou a andar e conseguiu retomar sua vida. Atualmente ela está de licença médica, não atendendo no consultório que divide com a mãe. Depois da publicação em seu Facebook, anunciando que iria à Suíça, a clínica recebeu dezenas de ligações de pacientes, preocupados com a médica.

Na página do LIVRE no Facebook, dezenas de leitores também se solidarizam – e a maioria envia mensagens de esperança e faz apelos para que Letícia mude de ideia.

A família de Letícia chegou a receber a ligação de um pai, dizendo que seu filho havia encontrado um remédio que o curou da dermatopolimiosite. Segundo a mãe de Letícia, este, infelizmente, não é o mesmo caso médico dela, visto que o do menino que encontrou a cura teve início ainda na infância.

Letícia teve a doença diagnosticada por uma equipe médica da USP, porém, até o momento, nenhum médico encontrou uma forma de curá-la, devido à raridade de casos como o dela. A mãe diz que já procurou cirurgiões plásticos perguntando por que não é feito algum exame prévio, que diagnostique a prédisposição à dermatopolimiosite antes da realização do implante, mas, afirma ela, nenhum quis se comprometer.

Ela ainda acredita na cura, ela ainda espera encontrar alguém que possa tratar Letícia.

Na madrugada desta sexta-feira (02), Letícia tentou, em casa, abreviar a própria vida. E essa informação vai no rodapé desta matéria, e é divulgada em razão da importância jornalística de se noticiar um fato relevante na história de uma vidaque está sendo acompanhada pelo site. O LIVRE, por uma questão ética, não faz sensacionalismo e nem noticia casos de suicídio, infelizmente corriqueiros.

Em tempo: a própria Letícia se arrependeu de seu ato. Chamou assistência médica e nesta manhã – em momento raro de alívio – repousa em um quarto de um hospital de Cuiabá, sob o olhar aflito, e ao mesmo tempo resignado, de seu pai.

Fonte: http://www.olivre.com.br/

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