“Se não houver sumiço de alegorias, o Garantido será o campeão do Festival “

 

O Boi Garantido apresentou detalhes do seu projeto a imprensa, nesta quinta-feira, 29.

O Boi Bumbá Garantido apresentou na manhã desta quinta-feira, 29, o projeto de arena “Magia e Fascínio no Coração da Amazônia”, em uma coletiva de imprensa realizada na Ilha do Boré, Parananema. A coletiva foi comandada pelos membros da Comissão de Artes e pela diretoria do bumbá.

Segundo o presidente Adelson Albuquerque, esse será um dos maiores espetáculos já apresentados pelo Garantido, e aproveitou para cutucar o Boi Caprichoso que trará um ilusionista para o seu espetáculo. “O Garantido vem forte em busca desse título, vamos apresentar e surpreender a nação vermelha e branca. Se não houver sumiço de alegorias, o Garantido será o campeão do Festival”, ironizou o presidente.

O membro da Comissão de Artes, Edwan Oliveira, explicou que o trabalho feito pelos artistas do bumbá vem para exaltar o fascínio e a magia da Amazônia. “Nossa maior arma é o talento do artista parintinense. É o que nós estamos apostando e nos dando a segurança de realizar um grande espetáculo. E será assim que o Garantido trará para a Baixa do São José o bicampeonato”, destacou Edwan.


AMAZÔNIA MÁGICA E FASCINANTE

Assim será o Boi Bumbá Garantido na primeira noite, mostrando a Amazônia de uma forma diferente do que já foi apresentado pelo bumbá em anos anteriores. Abrindo com a lenda amazônica, “Nosoken, a floresta encantada”. Segundo a lenda, Nosoken é um paraíso de entidades mágicas que atuam com as forças cosmológicas na evolução da obra de criação do mundo. A figura típica regional será dos “Quilombolas da Amazônia”, que contará a história dos negros que fugiram da escravidão para os quilombos da Amazônia após a revolução da Cabanagem, quando negros, índios e caboclos dominaram o poder na região, mas acabaram massacrados. O “Auto do Boi na Amazônia” será apresentado na celebração folclórica do Garantido, mostrando a história do folclore parintinense que veio de fortes influências do bumba-meu-boi, sendo adaptado em Parintins, retratando a “morte e ressurreição do boi”. Fechando a noite, trará o “Ritual da Escarificação”, representando a cerimônia que os índios ingaricó, habitantes dos campos lavradia de Roraima, nas proximidades do extinto Lago Parime, realizam para a iniciação do Pajé.
FOLCLORE E RESISTÊNCIA CULTURAL

Na segunda noite do festival, o Boi Garantido mostrará o folclore que reflete a alma de um povo e sua identidade cultural, abrindo com a figura típica “Caboclo Ribeirinho”, que exalta o caboclo da Amazônia, transfigurado entre índios, brancos e negros, sendo uma figura emblemática que vive nos beiradões dos rios, várzeas e igarapés da Amazônia. A lenda trará a “Fera Kanaimã”, um ser gigantesco híbrido de homem e animais da floresta, que aterroriza índios e caboclos da Amazônia. A celebração folclórica falará da “Tradição do Auto do Boi, enfatizando, alegoricamente, personagens e elementos principais do Auto. Encerrando com o ritual “Pajé dos Pajés”, mostrando o grande pajé Prepori, dos índios Kaiabi, da área cultural do Parque do Xingu, que até hoje é considerado o Pajé dos Pajés por toda a sua sabedoria na condução e orientação do seu povo enquanto viveu.
AMAZÔNIA, FÉ E ESPERANÇA

Abrindo a última noite do festival, o Boi Garantido exalta a esperança e a fé que movem os povos da floresta na direção da harmonia e do equilíbrio com esse grande bioma chamado Amazônia. Os “Romeiros da Tradição” será a celebração folclórica que viverá a tradição religiosa da Baixa do São José, onde é conhecido como o Boi da promessa. A lenda amazônica “Ypupiara, bicho do fundo”, é uma lenda dos bichos que vivem no mundo encantado do fundo dos rios e está presente no imaginário dos povos da floresta amazônica. “Ceramista da Amazônia” será a figura típica regional do bumbá, representando a arte ceramista na Amazônia que está presente na história cultural dos povos. Fechando a noite, será apresentando o ritual “O Eldorado”. O Garantido recria o ritual descrito por Matziquitá, no qual o pajé, Zipa na cultura indígena inca é investido como líder espiritual da aldeia.

Texto e Fotos: Cayo Dias

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