SOS Urubui: Remada Ambiental em defesa dos ambientes aquáticos de Presidente Figueiredo

 

Presidente Figueiredo é reconhecida nacionalmente pelas suas belezas naturais, com cavernas, grutas e as majestosas cachoeiras e corredeiras. Essas belezas levaram a cidade a ser reconhecida como Terra das Cachoeiras. Entre as principais atrações, destaca-se Corredeira do Urubui, localizada no Parque do Urubui, um verdadeiro paraíso ambiental e de acesso público.
A bacia hidrográfica do Urubui tem uma relação direta com a cidade de Presidente Figueiredo, seja no lazer, na beleza cênica, no turismo de cachoeiras, no fornecimento de água para agricultura, para as populações humanas ao longo dos riachos que compõem sua bacia, entre outros usos.
Apesar de uma grande importância socioambiental, o rio Urubui vem sofrendo vários impactos ambientais, com lançamento de resíduos sólidos, despejo de águas pluviais e esgoto e dejetos de residências.
Preocupados com essas ameaças acima indicadas e com toda a importância socioambiental desse que é o maior corpo dágua do município, moradores se organizaram e realizaram uma ação denominada de SOS URUBUÍ: REMADA AMBIENTAL. O evento foi organizado por Daniel Silva Barbosa que contou com apoio de moradores, empresários do ramo de turismo, hotelaria, serviços gráficos, restaurantes e do Instituto Federal do Amazonas e cobertura jornalística do Portal do Urubui.

 

“Seguimos firme no propósito da conservação, preservação da bacia do urubui !! avançando sempre no debate do engajamento e de sermos ferramentas de “revolução” o meio ambiente saudável para todos e constitucional para todos !! mas a responsabilidade e dever de manter e proporcionar para as próximas gerações.”

                                                                                                                                              (Daniel Barbosa)

O grupo planejou uma ação de coleta de resíduos sólidos nas margens do rio Urubui, partindo da ponte de acesso à comunidade Santa Cruz até dois 2km abaixo.
Nesse pequeno percurso, o grupo composto por 13 pessoas conseguiu recolher 15 sacos de lixo de 200 litros, 8 tampas de geladeiras e uma carcaça de geladeira. Foram coletados diversos tipos de resíduos sólidos, entre eles, isopor, escova dental, tampas de garrafa pet, cadeiras plásticas, baldes, sacolas plásticas, latas de alumínio e inúmeras embalagens de salgadinhos, biscoitos, rótulos de garrafas PET.


Esse último achado é um dos piores tipo de plástico para ambientes aquáticos, pois é composto por uma película de polipropileno biorientada (bi-axially oriented polypropylene – BOPP). Em consulta ao site www.ecycle.com.br há informações sobre os pontos positivos desse material para a indústria de alimentos, mas também diversos danos ambientais do descarte inadequado desse tipo de material. Entre alguns dos problemas podemos destacar que nos corpos d’água as embalagens plásticas de BOPP, podem causar sufocamento de animais, com o agravante de demorarem no mínimo 100 anos para se decomporem, como todo plástico comum. Além disso, em contato com células tronco, o BOPP altera a expressão genética, sendo potencial agente cancerígeno*.

Para o professor do Instituto Federal do Amazonas Campus Presidente Figueiredo, Jackson Pantoja Lima, doutor em Ecologia da Amazônia, a ação de hoje mostra que tanto a população local quanto o poder público têm que ter maior compromisso ambiental com a gestão dos resíduos sólidos e com o meio ambiente. A gestão de resíduos sólidos está prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos que foi instituída pela Lei Federal nº 12.305/2010, criada em 2010 e tem por objetivo a gestão integrada de resíduos sólidos no Brasil. Essa lei é uma necessidade de toda a humanidade. Não tem como pensar em desenvolvimento de uma sociedade sem pensar em realizar a gestão de seus resíduos sólidos”. O professor enfatiza ainda que “essa poluição ambiental dos corpos hídricos de Presidente Figueiredo já está afetando a fauna aquática na bacia do Urubui, pois um estudo de Iniciação Científica que orientou em 2015 com alimentação de peixes de igarapé do município identificou diversos animais com microplástico do tipo BOPP em seu estômago”.
Esta ação é só o começo de um longo trabalho no grito de socorro em defesa do rio Urubui e mostra também que a sociedade precisa assumir seu papel na destinação adequada dos resíduos sólidos, bem como o poder municipal precisa urgentemente implantar usinas de gerenciamento de resíduos e um aterro sanitário para os resíduos do município.

*Fonte://www.ecycle.com.br/component/content/article/6-atitude/645-bopp-plastico-que-embala-doces-e-salgadinhos-tem-reciclagem-.html).

Por: Portal do Urubui

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