Para esclarecer todas as dúvidas do caso “doping de Guerrero”, a reportagem do Esporte Interativo entrou em contato com Fernando Solera, presidente da comissão de dopagem da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

Confira abaixo a entrevista completa:

Podemos dizer que Guerrero foi pego no exame antidoping?

Não. A gente não pode falar que ele foi pego no exame antidoping porque, o que a gente tem até agora, é o resultado analítico adverso, que apontou a presença da substância “S6 estimulante”. Agora ele tem um período que ele vai se defender, ele vai mostrar da onde vem essa substância. Então, o positivo hoje é só depois que a gente checa, faz o exame de contraprova, aquela coisa toda. Existe na urina de Guerrero uma substância estimulante e ele vai ter que provar de onde veio isso daí.

Esse processo para Guerrero provar pode demorar quanto tempo?

Ele tem cinco dias. Normalmente são cinco dias, mas hoje é uma sexta-feira, meio de feriado aqui no Brasil, então vai contar a partir de segunda-feira. Esse período não começa a contar a partir de hoje, a partir do momento que chegou o documento, entendeu? Esse período, por exemplo: as vezes o jogador está viajando e ele precisa ser notificado oficialmente. Isso deve acontecer a partir da semana que vem, ele vai ter um período para produzir. A gente não costuma chamar de defesa, ele precisa produzir inicialmente, ele precisa fazer um informe robusto de onde vem essa substância. Então se ele chegar e falar assim: “não sei de onde veio”, aí o processo é disparado normal. Porque muitas vezes, o jogador fala isso: “não sei, não tomei nada, não quero saber”. O processo é disparado normal. Mas, no caso, eu acho que não é isso que vai acontecer, o jogador vai ter oportunidade de mostrar de onde veio. Aí, o que acontece: a comissão médica da Comenbol vai confrontar as informações do Guerrero, com as informaçõs do Flamengo, por exemplo, ou com as informações da seleção peruana. Por isso que é muito leviano a gente falar que o Guerrero foi pego no doping. Pode ser que nada disso aconteça. Você lembra do Ederson. Esse é o momento que a gente tem que tomar bastante cuidado, senão a gente ofende uma pessoa que muitas vezes pode não merecer.

Você está em contato com o Flamengo?

Sim, já falei com o Flamengo hoje. O Tannure (médico do clube) já me ligou, conversamos bastante.

* Em contato com a assessoria de imprensa, o Flamengo disse que não foi notificado oficialmente, até o momento da publicação da matéria.

Guerrero pode viajar para jogar pelo Flamengo no domingo, contra o Grêmio?

Pode. A suspensão preventiva só acontece em fase de julgamento e ele ainda não está nessa fase, ele está na fase de onde veio essa substância.

Comprovado que Guerrero usou essa substância, qual o tempo de punição que ele pode ter?

Para essa substância, “S6 estimulante”, quatro anos. Qualquer jogador. Se for o caso do Guerrero, se ficar confirmado que ele usou essa substância, são quatro anos. O que vale pra gente é ele informar se fosse o caso, digamos assim, digamos que apareceu o estimulante na urina de Guerrero, que não tem uma origem médica, não tem nada, apareceu e ele não sabe de onde veio. Aí são quatro anos. Mas se ele provar de onde veio, se foi uma injeção de um médico, tem uma série de circunstâncias que ainda precisam ser avaliadas com bastante critério. Esse momento é um momento angustiante pra todos e principalmente pra ele (Guerrero).

Quando você falou com o Tannure ele já sabia disso anteriormente? Existia chance do Guerrero estar se poupando por causa disso?

Não, não. Ele (Tannure) me perguntou isso, se teria problema o Guerrero jogar. Pode jogar  à vontade, não tem problema nenhum.

Se Guerrero comprovar de onde veio a substância, ele não cumpre nenhuma suspensão?

Se ele comprovar que essa substância veio de um amigo dele, ele cumpre. Se ele comprovar que isso advém de um tratamento médico, alguém errou. Ele vai ter que pagar por esse alguém. Evidentemente se você chegar para o público e falar: “olha, o jogador fulano de tal, vai cumprir uma suspensão de quatro anos porque o médico dele administrou uma injeção”. Não é assim. Se ele provar que isso adveio de um tratamento médico, existe a questão da subordinação, um exemplo: eu estou aqui no pronto socorro para fazer um raio x de tórax, se o cara chegar para mim e falar: “Fernando, ao invés do raio x de tórax, faz uma tomografia”. Eu não posso enfrentar o cara, a gente acaba se submetendo.

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