REVOLTA EM PRESIDENTE FIGUEIREDO: CADELA COMUNITÁRIA GRÁVIDA É MORTA A FACADAS E SUSPEITO É PRESO PELA PM
Loirinha era conhecida pela docilidade, conquistava moradores com seu jeito carinhoso e até dividia ração com gatos. Morte do animal provocou indignação e comoção na comunidade.
Uma cena de crueldade contra um animal chocou moradores de Presidente Figueiredo, no Amazonas, na manhã desta terça-feira (27). A cadela comunitária conhecida como Loirinha, de pouco mais de dois anos e que estava grávida, morreu após ser esfaqueada em via pública, na Rua Gaivota, no bairro Orquídeas. O suspeito, de 18 anos, foi localizado e preso pela Polícia Militar pouco depois do ocorrido.
O caso, registrado como maus-tratos contra animal com resultado morte, provocou revolta entre moradores e comerciantes que conheciam Loirinha e acompanhavam sua rotina.
Loirinha: uma vida marcada pelo carinho
Loirinha não era apenas uma cadela que vivia na rua. Era um animal comunitário, cuidado por moradores e empresários da região, que ofereciam alimento, atenção e proteção.
Segundo os relatos, ela era extremamente dócil, gostava de brincar com as pessoas e até dividia sua ração com os gatos. Um de seus gestos mais conhecidos era levantar a patinha quando se aproximava de alguém, como se estivesse pedindo uma bênção.
Grávida, a cadela teve a vida interrompida de forma violenta. A notícia de sua morte deixou moradores profundamente abalados, alguns deles sem conseguir conter as lágrimas diante do ocorrido.
PM age rapidamente e prende suspeito
De acordo com informações da 7ª Companhia Independente de Polícia Militar (7ª CIPM), a guarnição sob às ordens do Cte Major Bruno Lima, realizava patrulhamento pela Rua Gaivota quando foi abordada por André Monteiro de Souza, de 43 anos. Ele relatou que um homem havia esfaqueado a cadela em frente a um estabelecimento comercial e fugido em direção ao bairro Galo da Serra.
A equipe comandada pelo tenente PM Lischt, com o sargento PM João Kitsinger e os soldados Lucimara e Everson Menezes, iniciou imediatamente as buscas.
O suspeito foi avistado nas proximidades do restaurante Chapa Quente, mas fugiu em direção a uma área de mata. Após diligências, os policiais conseguiram localizá-lo novamente na região da Rua das Araras.
Durante a abordagem, os militares encontraram uma faca no bolso do homem. Conforme o registro policial, ele confessou ter esfaqueado a cadela.
No local, Loirinha foi encontrada ensanguentada, com uma perfuração aparente e agonizando. Posteriormente, foi confirmado que o animal morreu em decorrência dos ferimentos.
O suspeito foi identificado como João Vitor de Souza Silva, de 18 anos, recebeu voz de prisão e foi conduzido ao 37º Distrito Integrado de Polícia (DIP). A atuação rápida da guarnição permitiu localizar e prender o suspeito após a denúncia.
Testemunhas relatam os momentos de violência
Um borracheiro que presenciou parte da situação relatou que Loirinha apenas latiu quando o homem passou. Segundo ele, tentou alertar que a cadela não costumava morder, mas o suspeito teria se abaixado e desferido o golpe de faca.
A testemunha contou que, após ser ferida, a cadela saiu cambaleando, com muito sangue, enquanto o homem deixou o local sem prestar socorro.
Raquel Ferreira, outra testemunha, também relatou ter visto Loirinha ferida e pediu ajuda ao perceber o que havia acontecido.
Os depoimentos reforçam a necessidade de apuração rigorosa das circunstâncias do caso pelas autoridades competentes.
Delegado confirma autuação em flagrante
O delegado titular do 37º DIP, Filipe Nascimento, informou que o suspeito foi autuado em flagrante pelo crime de maus-tratos a animais com resultado morte, previsto no artigo 32 da Lei nº 9.605/1998.
Segundo o delegado, as testemunhas ouvidas no procedimento não relataram uma situação que justificasse uma ação de defesa por parte do suspeito. Ele também destacou que Loirinha era um animal comunitário, cuidado por moradores e comerciantes.
O delegado informou ainda que o flagrante foi encaminhado à Justiça e que o conduzido passaria por audiência de custódia, permanecendo à disposição do Poder Judiciário, conforme os procedimentos legais.
A legislação brasileira prevê, para maus-tratos contra cães e gatos, quando ocorre a morte do animal, pena de reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição da guarda, conforme o enquadramento legal aplicável.
A comunidade cobra justiça por Loirinha
A morte de Loirinha vai além da perda de um animal querido. O caso levanta um alerta sobre a violência contra animais e a responsabilidade coletiva de proteger seres que dependem, muitas vezes, da solidariedade da própria comunidade para sobreviver.
A resposta imediata da Polícia Militar foi fundamental para a localização e prisão do suspeito. Agora, cabe às autoridades responsáveis assegurar a apuração dos fatos, o devido processo legal e a aplicação das medidas previstas na legislação, caso a responsabilidade criminal seja confirmada.
Loirinha não podia pedir ajuda com palavras. Mas era conhecida por seu carinho, sua confiança nas pessoas e sua convivência pacífica com a comunidade.
A expectativa dos moradores é que o caso não fique impune e que a morte da cadela sirva de alerta para que a violência contra animais seja tratada com a seriedade que a lei exige.
Crueldade contra animais não pode ser naturalizada. Loirinha merece que sua história seja lembrada, e a comunidade merece uma resposta da Justiça.
Presidente Figueiredo – Amazonas
Terça-feira, 27 de outubro de 2026
PORTAL DO URUBUÍ

